O Norte de Minas Gerais registrou níveis de curtailment superiores ao Nordeste em 2025, impulsionado pelo crescimento acelerado da geração de energia solar na região. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que os cortes de geração no Norte de Minas chegaram a 21,2%, o que equivale a 427 MWmed, entre janeiro e 13 de abril.
A capacidade fotovoltaica instalada saltou de 3,6 GW em janeiro de 2024 para mais de 7 GW no início de 2025, um crescimento quatro vezes superior ao do Nordeste no mesmo período.
Problemas de Tensão e Clusterização Operacional
Segundo Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, a rápida expansão da geração solar concentrada nas subestações de Janaúba e Jaíba provocou problemas já conhecidos no Rio Grande do Norte, como riscos de colapso de tensão.
Para mitigar o problema, o ONS utiliza a clusterização, estratégia que distribui o corte de geração solar entre diversas unidades, evitando distorções no ponto de operação do sistema elétrico.
Zucarato alerta que o crescimento da geração superou o ritmo da expansão da infraestrutura de transmissão na região, o que agravou a necessidade de cortes preventivos.
Limitações do Uso de Sistemas Especiais de Proteção (SEPs)
Questionado sobre a adoção dos Sistemas Especiais de Proteção (SEPs), Zucarato explicou que essa estratégia tem eficácia limitada para conter o colapso de tensão. Os fenômenos ocorrem em dezenas de milissegundos, enquanto a latência de processamento e comunicação dos sistemas torna a resposta inadequada para a velocidade exigida.
Panorama e Desafios Futuros
O cenário evidencia a necessidade urgente de reforçar a malha de transmissão no Norte de Minas e de revisar a estratégia de expansão da geração renovável para evitar congestionamentos e limitações operativas.
O tema se soma às discussões mais amplas sobre o curtailment no Brasil, que deverá continuar como um desafio relevante para a gestão do sistema elétrico em 2025.